quarta-feira, 28 de março de 2012

Amor e fé no cristianismo e no Islã

         

            As relações entre cristãos e muçulmanos têm sofrido os efeitos de uma herança histórica de discórdia e ódio, gerada quando os grandes impérios e civilizações destas duas crenças enfrentaram-se em conflitos territoriais.
            A conquista islâmica da Península Ibérica, as Cruzadas, a queda de Constantinopla, as ambições do Império Otomano e do Imperialismo do século XIX e XX, deixaram resíduos de amargura e hostilidade. Estes fatos fomentaram atividades violentas dos extremistas islâmicos vistas nestas duas últimas décadas entre Irã, Estados Unidos e o Reino Unido, como também ainda hoje no Oriente Médio. Contudo é importante lembrar que existem muitos aspectos positivos na história das relações entre estas duas crenças e suas civilizações; o enriquecimento cultural e intelectual mútuo que compartilharam na arte, na arquitetura, na filosofia, na matemática, na ciência e na literatura.

Vamos conhecer um pouco mais sobre o Islã e entender o “conceito do amor no Cristianismo e no Islã”.
                       
Tanto o Cristianismo como o Islã, sustentam que o amor é o eixo de sua fé.
No Cristianismo, o amor é a maior virtude e o mandamento do amor é o primeiro e o maior mandamento.
No Islã o amor é “o apoio mais firme da fé” e “a fé é o amor e o amor é a fé”.
Nas duas religiões atribui-se o amor tanto a Deus como aos seres humanos. Sem dúvida, o amor Divino é diferente do amor humano. O amor Divino é substantivo, uma propriedade, já que Deus mesmo é amor. No caso da humanidade, o amor é um predicado, algo acidental e separado da sua essência.
O amor Divino é eterno e perdurável. Deus criou o mundo e a humanidade por amor. Ele ama a humanidade imensamente a ponto de ter criado tudo na Terra por essa humanidade.
No Cristianismo, o amor de Deus pelo homem é muito visto de forma paternal, no Islã adota-se uma atitude mais abstrata e transcendental com Deus e Seu amor. É um amor maior que de um pai ou de uma mãe por seu filho. No Islã nunca se trata a Deus como um Pai e as pessoas não são apresentadas como seus filhos.
No Islã o amor de Deus tem uma qualidade desinteressada, ele não ganha nada do amor em si ou do amado. Deus criou o mundo “para mostrar Sua própria verdade, bondade e beleza”.
No Cristianismo e no Islã, o amor por Deus é Universal e praticado por todas as criaturas que compartilham desta fé.
Em ambas as tradições, o amor humano por Deus se estende ao próximo, porém no Islã Deus não ama ninguém desagradecido ou pecador - os “injustos”. Por isso no Islã o conceito de amor está entrelaçado com o de ódio. O amor por Deus e pelo bem deve estar acompanhado do ódio pelo mal. Uma pessoa de fé não pode odiar a quem Deus ama, assim como não pode amar os inimigos de Deus. Assim o Islã distingue entre amar uma pessoa e amar seus atos ou seu caráter.

            Este texto foi retirado do livro de uma jovem Xiita iraniana que acredita no diálogo baseado no respeito e na aprendizagem mútua da forma de crer e da cultura de cada um, na busca da cura das dolorosas feridas ocasionadas pelo ódio e incompreensão ao longo de séculos, para o benefício de milhões de pessoas no mundo.

Livro: O conceito de amor no Cristianismo e no Islã de Mahnaz Heydarpoor (Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná)

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