sexta-feira, 9 de maio de 2014

Dicas para ler notícias sem enlouquecer!



As informações em tempo real estão acabando com a nossa sanidade.
Um novo livro traz conselhos para quem quer recuperá-la.
Os leitores estão enlouquecendo. Faça uma visita às caixas de comentários de qualquer grande portal e você verá o quanto são raras as demonstrações de bom senso. O caps lock parece ser a tecla da moda. Teorias da conspiração abundam. Um acidente de carro na Grã-Bretanha ou a alta no preço dos sanduíches no Rio de Janeiro podem ser culpa da política, da imprensa, do imperialismo americano ou de todos eles juntos, dependendo de quem for o leitor.

Começamos a consumir informações em tempo real há algumas décadas, mas raramente paramos para pensar se isso é saudável. Existem vantagens de largar as notícias de vez em quando e reservar tempo para leituras mais nutritivas – reportagens mais longas, ensaios e, sobretudo, livros

Abandonar as notícias permanentemente não é uma opção, ao menos para a maioria de nós. Manter-se desinformado por algumas horas pode ser um prazer, mas a desinformação por um período prolongado logo se transforma em ignorância.
Se as notícias são necessárias, precisamos encontrar uma forma saudável de consumi-las. O livro recém-lançado Notícias: Um manual do usuário, do filósofo suíço Alain de Botton, traz sugestões para os leitores que querem aproveitar o que as notícias têm de bom sem cair em suas armadilhas. Dicas do autor nos itens a seguir.

1. Tenha um motivo para ler
Com muita frequência, clicamos em notícias nas redes sociais ou nas páginas de grandes portais simplesmente porque não estamos fazendo nada. "As notícias não vêm com manual de instruções porque lê-las é teoricamente uma das atividades mais fáceis e óbvias do mundo, como piscar os olhos e respirar", afirma Botton. Quando ler notícias se transforma num passatempo, porém, deixamos de pensar sobre as informações que recebemos e aproveitamos muito pouco do que lemos. Antes de ler uma notícia, faça duas perguntas simples para você mesmo: o que você quer saber e por quê? Essas duas respostas tornarão sua leitura muito mais proveitosa.

2. Enfrente seu tédio
"Caetano Veloso estaciona no Leblon" é uma informação que absorvemos instantaneamente. "ONU acusa Coreia do Norte de crimes contra a humanidade" exige algum esforço. As notícias mais relevantes são, na maioria das vezes, as mais monótonas. A culpa nem sempre é do repórter. Alguns assuntos são naturalmente mais áridos do que os outros. Cabe ao leitor perseverar. Se você só der atenção às reportagens fáceis de ler, continuará desinformado mesmo depois de horas dedicadas às notícias.

3. Tente aprender algo
Se você somar todo o tempo que gasta lendo notícias ao longo de um ano, perceberá que essa atividade toma semanas ou até meses inteiros. O que ganhamos em troca do tempo investido? A resposta depende muito do tipo de notícia que lemos e da maneira como encaramos essa leitura. Um mês dedicado a acessar centenas de notícias de política diariamente para ofender candidatos nos comentários é um mês desperdiçado. O mesmo tempo pode ser muito bem aproveitado se lermos reportagens mais aprofundadas sobre os problemas e conquistas do país, entendermos o ponto de vista de cada candidato e nos tornarmos eleitores (e cidadãos) melhores. Depois de ler uma notícia, pergunte-se se aprendeu algo com ela. Se a resposta for "não" na maioria das vezes, é um sinal de que você está lendo as notícias erradas ou dando pouca atenção a elas.

Por: Danilo Venticinque

Jornalista editor de livros e colunista da Revista Época. Nasceu em São Paulo, formado em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo (2010) e  faz MBA em Marketing Digital na ESPM. Atuou como freelancer na revista eletrônica Consultor Jurídico (SP) em 2008. Entrou como estagiário da revista Época (SP), em 2009. Antes de assumir o cargo de editor de livros, na seção de Ideias, foi repórter de cultura por dois anos com o editor Luís Antônio Giron.

Alain de Botton Escritor e pensador peculiar. Nasceu na Suiça, é de origem judia, mas foi educado na Inglaterra, a partir dos oito anos. As suas recordações das escolas Harrow e Cambridge não são famosas. Cedo se deu conta de que o que lhe ensinavam não servia para a vida que desejava ter. Por isso, resolveu escrever obras onde traça novos caminhos para a felicidade e para a realização pessoal, em moldes pouco comuns. Livros que já publicou – “Como Proust pode salvar-lhe a vida”, “A Consolação da Filosofia”, “A Arte de Viajar”, entre outros – poderão ser catalogados como “manuais de autoajuda”, mas Botton prefere chamar-lhes “Guias”, uma vez que neles não enuncia fórmulas infalíveis nem promete a felicidade eterna. Interessa-lhe, sobretudo, a ideia de “sabedoria”, um conceito muito antigo e quase tabu na nossa sociedade que, como sabemos, se afastou claramente do pensamento crítico e da reflexão. Usando, como base, o método dos filósofos da Grécia Antiga, este autor propõe-nos, de uma forma inteligente e acessível, uma contínua especulação sobre tudo o que nos rodeia, o que sentimos e a forma como agimos.

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